Psicomotricidade Relacional e a socialização escolar como facilitadores na aquisição de conhecimento

30 de Maio de 2017

Abordar Psicomotricidade Relacional e socialização escolar como facilitadores na aquisição de conhecimento nos instiga a refletir sobre a necessidade de mudarmos o foco do discurso verbal, buscando através da ação, do movimento, uma comunidade educacional aberta a uma demanda de relações, baseada em valores humanos, nos quais os comportamentos afetivo-emocionais tornem-se indispensáveis para a conquista de novas aquisições e conhecimentos essenciais ao bem-estar pessoal e social.

Hoje vemos educadores, sejam eles professores, psicomotricistas, psicólogos, psicopedagogos ou outros profissionais que atuam na escola buscando especializar-se no sentido de entender e atender a demanda que as crianças trazem para o ambiente escolar. Assim, temos testemunhado esforços destes profissionais no sentido de estimular o desejo para descobrir, para aprender e conhecer, substituindo a exclusão pela inclusão, a incapacidade pelas possibilidades, transformando o conceito de reeducação para o de educação em sua definição mais ampla.

A Psicomotricidade Relacional em consonância com o movimento atual na educação, trabalha no sentido de focar as possibilidades de saúde física, emocional e social das crianças, descentralizando o foco da doença, das dificuldades de aprendizagem, motoras ou sociais, sem, contudo, perdê-las de vista. Podemos dizer que esta proposta está conquistando espaço e reconhecimento, rompendo barreiras, atendendo necessidades e despertando nas escolas, públicas e privadas, o desejo de oferecer a seus alunos e professores, mais do que conhecimento e informações baseados em programas engessados, mas sim, um diferencial baseado na escuta destes corpos em movimento, destes seres em transformação, aprendizes da beleza das relações, do desejo, da vida que é sua, mergulhados intrinsecamente numa comunicação autêntica e no encanto da descoberta e da aquisição de conhecimento.

A Psicomotricidade Relacional trás em sua proposta, a ousadia de responsabilizar além da família, também a escola e por consequência a sociedade, pela construção mais ou menos saudável da personalidade da criança e do jovem sendo este um dos aspectos do seu poder de transformação social.

Sua finalidade na escola é especialmente preventiva, atendendo a uma perspectiva pedagógica que visa potencializar o desenvolvimento emocional, a socialização e o desenvolvimento cognitivo global, com o objetivo final de auxiliar o indivíduo a viver com o outro e se realizar pessoal e socialmente. Na escola, a Psicomotricidade Relacional proporciona reflexões, críticas, criação de grupos operativos que abordem de forma ampla e global as demandas da convivência em sociedade.

Não perde de vista a intersecção com a pedagogia, na medida em que enfoca o eu do sujeito, os papéis socialmente definidos, as identificações, o imaginário. Isso mesmo, o imaginário, pois “o que está em jogo é o modo como os professores imaginam seu papel, e quais os discursos em torno desse papel que impedem o seu exercício eficaz, muito mais do que a verdade última daquele sujeito do consciente que habita o professor e o aluno”.

Nesta dialética, a escola assume então seu lugar de formação de cidadãos, na medida em que passa a ser responsável por questões que possibilitam a formação de seres sintônicos consigo mesmo. Pessoas capazes de assumir um nível de conhecimento e de comunicação mais verdadeira, de atuar na sociedade com mais transparência, promovendo assim a transformação social.

Dessa forma a Psicomotricidade Relacional na escola se compromete a auxiliar o professor e o aluno na construção de conhecimentos baseados em valores necessários às conquistas cotidianas, pautando o seu trabalho numa transformação social, canalizando estes conhecimentos para ações que efetivem sonhos e direitos, investindo assim, em uma ação social mais saudável.

Fica aqui um convite: o de tentar não mais trabalhar na sintomatologia, forçando a criança ou adolescente a adequar-se a uma proposta que não reconhece, e sim o de tentarmos substituir o desprazer pelo prazer, o mal-estar pelo bem-estar, o medo pelo interesse; desculpabilizando sentimentos, para reativar e desenvolver competências e habilidades de comunicação, aprendizagem e socialização, atendendo ao principio de igualdade de oportunidades, para sob o objetivo geral da educação potencializar o exercício da cidadania.

Por tudo o que foi exposto, costumamos dizer que a psicomotricidade relacional toca a globalidade do SER, garantindo a preservação de sua saúde global redimensionando seus valores dentro de um processo de comunicação autêntico, tornando o mais criativo, participativo e democrático, capaz de compartilhar interesses pelo seu ambiente social e suscetível ao aproveitamento dos estímulos que o rodeiam, permitindo-lhe uma maior disponibilidade e autonomia diante das atividades inerentes aos valores do homem, de sua vida relacional, facilitando a afirmação.

José Leopoldo Vieira

Psicomotricidade Relacional para um melhor rendimento em sala de aulaPHD Empresarial/Escolar – CIAR Fortaleza