Psicomotricidade Relacional: A teoria de uma prática

12 de junho de 2017

A Psicomotricidade Relacional visa desenvolver e aprimorar os conceitos relacionados ao enfoque da Globalidade Humana. Busca superar o dualismo cartesiano corpo/mente, enfatizando a importância da comunicação corporal, não apenas pela compreensão da organicidade de suas manifestações, mas essencialmente, pelas relações psicofísicas e sócioemocionais do sujeito. Preza por uma abordagem preventiva, com uma perspectiva qualitativa e, portanto, com ênfase na saúde, não na doença.
É uma pratica que permite que a criança, ao jovem e ao adulto, a expressão e superação de conflitos relacionais, interferindo de forma clara, preventiva e terapeuticamente, sobre o processo de desenvolvimento cognitivo, psicomotor e sócio-emocional, na medida em que estão diretamente vinculados a fatores psicoafetivos relacionais.
Não se trata de uma psicoterapia que põe em jogo a personalidade do sujeito através da análise de sua problemática inconsciente, mas sim, de uma decodificação de seus comportamentos atuais, evidenciando suas significações simbólicas e as necessidades que expressam.
Define-se dessa forma, como um método de trabalho que proporciona um espaço de legitimação dos desejos e dos sentimentos no qual o indivíduo pode se mostrar na sua inteireza, com seu medos, desejos, fantasias e ambivalências, na relação consigo mesmo, com o outro e com o meio, potencializando o desenvolvimento global, a aprendizagem, o equilíbrio da personalidade, facilitando as relações afetivas e sociais.
Introduz em sua prática ao jogo espontâneo em que o corpo participa em todas as
dimensões, privilegiando a comunicação não-verbal, onde, através de situações lúdicas e dinâmicas, joga com o corpo em movimento, buscando induzir situações nas quis sejam expressos atos desencadeados por sentimentos, que somente mais tarde traduzirão em termos conscientes, as emoções em que se originaram, ou seja, num primeiro momento de forma impulsiva e inconsciente, para depois chegar ao consciente.
Isso quer dizer que o comportamento e a comunicação são provocados e desencadeados por imagens de relações inscritas no corpo, com todos os matizes sensoriais como visão, audição, olfato, paladar, tato, sensações viscerais e outras. Podemos aqui ressaltar o momento de relaxamento, em que o encontro consigo mesmo ou com o outro evoca imagens mentais de pessoas, lugares, músicas, cheiros e relações integradas no tempo e no espaço de algo a ser conhecido, mas também de um EU, um self no ato de conhecer.
Nesse contexto, o sujeito que vive ao mesmo tempo aquele que sente, observa, percebe e toma conhecimento de que são seus atos e os sentimentos. Essas imagens sensoriais estão sempre acompanhadas por uma presença, que significa o Eu, que é o sentimento do que acontece quando o SER é modificado pelas ações vividas de aprender algo e essa presença tem que estar presente, caso contrário, não há como existir.
A Psicomotricidade Relacional, enfim, é uma prática que permite a libertação do desejo e do prazer de ser, de comunicar-se de estar vivo!

 

 

OBJETO DE ESTUDO DA PSICOMOTRICIDADE RELACIONAL
Objeto de estudo da Psicomotricidade Relacional é o ser humano, criança, adolescente ou adulto nas suas dimensões psicossociais e afetivas, ressaltando as diversas formas relacionais estabelecidas em seus diferentes grupos de pertinências. Pretende compreender os diversos níveis de comunicação corporal estabelecida a partir do jogo espontâneo, para daí proporcionar os meios de decodificação das nuances expressas nas relações, levando em consideração seu desenvolvimento psicomotor e sócio-histórico, com a finalidade de atender às necessidades de seres em formação, nos aspectos psíquicos, motores e emocionais que, em conjunto, influem diretamente na construção e desenvolvimento da personalidade.
Nesse sentido enfoca de maneira especial toda a organização tônica, involuntária, espontânea, parte integrante da experiência afetiva e emocional, necessariamente ligadas às pulsões, às proibições, aos conflitos relacionais, ao inconsciente. “Um agir espontâneo cuja significação não pode ser ignorada, ligada à experiência imaginária vivenciada pelo corpo em
sua relação com o outro e com o mundo” (LAPIERRE, 2004).
É difícil pensar num desafio sedutor para a reflexão e para a investigação, do que a Psicomotricidade Relacional, pois, em geral, para aqueles que a conhecem e, em particular, para aqueles que com ela atuam, despertar a ânsia de praticar até esgotar o desejo e a sede de compreender e de se maravilhar com suas própria natureza.
Se levarmos em conta um dos marcos teóricos da Psicomotricidade Relacional que é a comunicação não verbal manifestada através do jogo espontâneo, onde o corpo participa com todas as suas dimensões representativas inserido em uma complexa rede de inter-relações, onde estão presentes conteúdos biológicos, psicológicos, somáticos, vivenciais, históricos e sociais, podemos então compreender e não apenas interpretar, os conflitos intrapsíquicos e suas repercussões psicossomáticas, possibilitando ao ser humano a capacidade para redimensionar suas relações de forma que possa obter melhor condições de vida e bem estar pessoal, familiar, físico, social e profissional.

 

Autores: José Leopoldo Vieira, Maria Isabel Bellaguarda, Anne Lapierre.

Pós-graduação em Psicomotricidade Relacional – Módulo de junhoFeedback dos encontros com o CEI – Madre Carmela de Jesus